Aquarismo Acessível: Episódio 09 - Tipo de alimentações de peixes!

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Will: Fala galera que faz patê caseiro com fígado e coração de boi, aqui é Will.


Rodrigo: Aqui é o Rodrigo. Hoje nós vamos falar sobre o alimento correto para seus peixes.


Will: Todo o tipo de peixe, na verdade, grande parte dos peixes comercializados em loja, não vamos entrar naqueles super exóticos. Rações em flocos, grânulos, liofilizadas…


Rodrigo: ...congelada e alimentos vivos. Hoje nós vamos falar sobre a qualidade, como que eu identifico se a ração é boa, o que eu posso dar para o meu peixe ou não? Essa variação toda, tu entra numa loja, tu vai ver dezenas, senão centenas de potes diferentes de rações com tamanhos e tipos diferentes, cada um com uma figurinha de um peixe na frente. Qual é a melhor ração? Por que aquela ração que custa R$ 8 é muito pior do que a raçãozinha que custa R$20?


Will: Vamos começar com um exemplo básico, a ração mais comercializada hoje em dia para aquário é a ração flocada e a gente tem muita variedade de ração flocada. Tem da própria Alcon, temos da Sera, da JBL da Tetra, basicamente toda a empresa de rações começa com os flocos.


Rodrigo: Aí nós temos hoje no mercado nacional, falando de água doce porque marinho tem uma variedade maior, se for botar aí JBL, Sera, Tetra, Alcon, Tropical, Poytara e Nutricon… Temos uma variedade enorme de rações e cada uma dessas marcas tem uma variedade grande entre elas próprias. Como que eu vou saber diferenciar qual a ração boa ou ruim? Qual é o principal aspecto que eu tenho que ver para saber se a ração é de boa qualidade? Acho que tudo começa na composição da ração. Hoje as rações nacionais, infelizmente, não tem uma qualidade que chegam próxima das rações importados. Principalmente as grandes rações da Sera e da JBL.

A Sera tem um desenvolvimento de matéria prima muito forte, a matéria prima dela é de excelente qualidade, algo que eu acho que para o mercado nacional, se fosse fazer uma matéria prima de tão boa qualidade como as importadas, o preço ficaria muito mais caro do que os importados. Então um dos motivos de que o mercado nacional às vezes faz uma ração que é um pouco o inferior, se não muito,é porque encareceria muito a ração.


Will: É porque a culpa não é basicamente do mercado nacional, dos produtores nacionais de ração, mas sim das leis que abrangem e impostos que são muito altos para esse tipo de produção.


Rodrigo: Porque a gente não pode acreditar que a empresa ou a fábrica vai agir de má fé para fazer uma ração ruim.


Will: É porque eles não conseguem.


Rodrigo: Porque encareceria absurdamente eles fazerem uma matéria prima de muita qualidade sem ter esses recursos.


Will: E ainda tendo que importar materiais.


Rodrigo: Tu pega as coisas da Sera, que eles usam salmão, eles usam peixes de uma qualidade absurda para fazer a ração deles. Algo que aqui no Brasil a gente vai usar o que? Tilápia?


Will: Vai usar Lambari.


(Risos)


Rodrigo: Uma coisa que eu vou alertar sempre, primeira dica, observa a composição e a base dela. A composição diz muito do que ela vai passar pro teu peixe, se tu tem um peixe carnívoro, o que que esse peixe come da natureza? Provavelmente, ele é um predador que vai se alimentar de outros peixes e de insetos. Tem algumas coisas que ele encontra às vezes trazidos pelo rio, mas, a alimentação dele tem que ser muito parecida com o que ele encontra na natureza. O que tem que estar no rótulo deste produto na composição dele tem que ser muito parecido com o que ele come na natureza.

Eu nunca vi peixe comer batata, cana-de-açúcar e farelo de aveia. Todas essas outras coisas que a gente vê nas rações, as vezes tem que ser colocadas para dar um volume maior na ração para tirar o custo.


Will: Essa regra não vale apenas para ração flocada, todo o tipo de ração, para toda fauna, tem que ser observado.


Rodrigo: Já falamos da principal diferença entre rações e porque a importada custa um pouco mais, tem mais qualidade e matéria-prima muito melhor do que a nacional, inclusive qualidade melhor e matéria prima, com poucos ingredientes, tu dá muito menos ração e consequentemente alimenta muito mais os os peixes porque é aquilo, né? O que te alimenta mais, um prato de feijão ou três de arroz, o que faz mais sujeira depois?

A questão toda tá na quantidade versus a qualidade da ração. Do que você vai dar para o seu peixe e seu peixe ficar mais nutrido, mais colorido e melhor.

E agora uma pergunta, por quê existem tantos tipos de ração diferente, por quê tem flocada, granulada, de fundo....


Will: É um motivo simples, as faunas diferentes de peixe preferem se alimentar em um níveis diferentes de aquário. Peixes de fundo, peixes de meia água e peixes de superfície.


Rodrigo: Então aquela raçãozinha que fala alimento base, ela realmente vai dar para uma grande variedade de peixes, porém não é para todo tipo de peixe. Se tu tem um Cascudo, uma Coridora, tu vai precisar de uma ração que chegue lá no fundo sem os outros peixes se alimentar antes dela. Aquele peixe que fica no intermediário, mas em baixo, tipo peixinho de cardume, um Neon, um Rodóstomo… Eu vou botar um grânulo, ela tem uma função dela ser grânulo e flocos eu vou dar para aquele peixe mais de superfície, uma Molinésia, um Platy…


Will: Policilideos em geral.


Rodrigo: Que vão pegar em cima e por que que tem as diferenças da composição?


Will: Nós temos vários tipos de peixes com vários tipos de biótopos temas peixes carnívoros algívoros onívoros tem uma variedade muito grande de peixes que se alimentam de coisas diferentes, você não pode dar para ciclídeos africanos, como os Malawi, que são peixes que se alimentam basicamente de algas e proteínas mais vegetais, proteína animal. Se você der muita proteína animal, por exemplo, para um Malawi, é muito fácil ele ter o famoso Malawi Bloat, que é um problema no intestino dele, porque o metabolismo dele não é feito para digerir proteína animal, ele não é um peixe que se alimenta de peixes basicamente.


Rodrigo: Assim como tu não vai pegar um Oscar e dar ração à base de vegetais para ele, é algo totalmente incompatível, tu vai perder o peixe a longo prazo.


Will: É que nem você pegar um tigre e querer ficar alimentando ele com alface.


Rodrigo: O famoso tigre vegano?


WIll: O grande Tigre-de-bengala vegano.


Rodrigo: Então, pessoal, os tipos de alimentos são de acordo para cada tipo de peixe, você tem que ter uma noção que peixe tá no mesmo nível do que eu falar mamífero, eles estão distribuídos pelo planeta inteiro. Cada tipo, cada biótipo é diferente, cada alimentação é diferente, as rações são feitas justamente para diferenciar os tipos de alimentação do peixe. Isso já é uma questão para vocês ficarem alertas, quando tem muita mistura de peixe e que tem que comprar muito tipo de ração diferente para alimentar todos eles, alguma coisa não tá muito certo dentro do aquário.


Will: Aquário comunitário, por exemplo, tem gente que adora colocar Acará Bandeira com Kinguio. Eu não entendo isso, a alimentação é diferente, o PH é diferente e a pessoa ainda quer fazer isso. Pessoal, cuidado com aquários comunitários, não é porque você tá com um peixe de PH 7,2 e outro 6,8, que você pode ter os dois no 7. Não é assim que funciona e não é assim que funciona com alimentação também.


Rodrigo: Não é porque tem um carro a álcool em um carro a gasolina que dá pra misturar os dois e aí botar um litro de cada um.


Will: Vai explodir. Uma coisa importante sobre alimentação, você tem que cuidar para ter peixes que comem no mesmo biótipo, que comam as mesmas coisas para evitar uma grande mistura de rações.

Isso também cai por terra, se tu tiver uns seis tipos de rações diferentes para os peixes. Você pode manter um peixe vinte anos comendo a mesma ração se ela for adequada para aquele biótipo de peixes.


Rodrigo: Exatamente, no rio vocês vem por acaso o peixinho falar que hoje ele comeu um camarão e amanhã ele vai comer um outro peixe que tá passando... Não! O peixe se alimenta basicamente sempre daquele mesmo quadro de alimentação.

Agora a gente entra naquela sessão que todo mundo gosta, a sessão de gambiarra que é coisa de né... enfim…. Fazem anos que eu assisto a TV, que eu assisto YouTube. Acho que qualquer um aqui que viu toda essa evolução da TV a cabo, veio National Geographic, veio Discovery… Tu tem vários canais da natureza que mostram lá o leão atacando Gnus, né?

Até hoje, eu nunca vi na minha vida, sair um cardume de peixe da água e falar: “Vamos cinco por aqui, sete por ali e vamos matar aquele boi, mas, eu quero só coração dele.”


Will: Isso é para o pessoal que faz patezinho.


Rodrigo: “Eu quero só o fígado dele”. Se o peixe não faz isso, não faz pra ele de coração nem de fígado para ele.


Will: Se não é da dieta natural do peixe, para que tá errado.


Rodrigo: Não existe isso, peixe não come na natureza fígado e coração de boi, PELO AMOR DE DEUS! Onde é que ele encontra isso? Eu não sei há casos extremos...


Will: Na travessia do boi quando ele passa, um cardume de Neon ataca ele direto no fígado.


Rodrigo: Exatamente, porque lá onde nascem os discos, nos Igarapés de discos selvagem, desde o tempo das cavernas tinha um homem que alimentava todos os dias eles com fígado e coração de boi, por isso tem que fazer o patê.


Will: Mas ele fazia patê, né? Ele não dava inteiro.


Rodrigo: Não, sempre raspadinho. Não tem lógica! Compra ração, existe ração industrializada, a gente tá falando de tecnologia.

E agora é para quem quer saber, porque a gente sempre dá nome, quem quer a ração boa tem a da Sera e em segundo JBL. Elas estão sempre assim, pau a pau. A Sera tem uma gama um pouco maior de variedades que são um pouco melhores que a JBL e a JBL tem algumas rações específicas que são melhores do que algumas da Sera, mas, tu tendo qualquer uma dessas duas o teu peixe vai te agradecer.


Will: E a Sera tá completando 50 anos, hein!


Rodrigo: E o que isso tem a ver com a qualidade da ração?


Will: Ué, que eu não ganhei nenhum calendariozinho deles.


Rodrigo: Nem calendário? Bah, Sera…


Will: Cadê a importadora?


Rodrigo: É o podcast da crítica, esse podcast que a gurizada gosta.


Will: Vão ignorar os primeiros dez minutos.


Rodrigo: Vão ficar nessa parte que a gente vai se dar mal eles que ficam dando risada. Quanto a alimentação, sempre busca algo muito similar ao que o peixe encontra na natureza. Outra coisa, se tu for dar artêmia para o teu peixe dê artêmia liofilizada, não compra viva que tu não sabe da procedência, da nutrição... Tem as congeladas também, mas, dá liofilizadas, aquela seca, ela vende industrializadinha.


Will: Livre de qualquer patógeno.


Rodrigo: Tenta buscar sempre o mais próximo do que ele se alimenta na natureza também se for liofilizado. Vai dar Tubifex para o teu Betta, beleza, mas artêmia o Betta não encontra na natureza. O alimento perfeito pro Betta são as larvas de mosquito vermelho Tenta dar sempre próximo ao biótipo dele e rações sempre de boa qualidade. Uma dica da quantidade de ração é, se você acha que você tá dando pouco, reduz ela pela metade e essa é a quantidade certa.


Will: Exatamente.


Rodrigo: O mínimo de ração que tu conseguir dar por dia e ainda dividir uma por dois. Esse é um ponto principal, peixe raramente vai morrer de fome mas com certeza vai morrer de excesso.


Will: Exatamente, o excesso dá matéria orgânica que vai gerar amônia, nitrito e nitrato e vai tá consequentemente matando seu peixe.


Rodrigo: Então, pessoal, hoje por alimentação foi um papo rápido simples e eu vou ficando por aqui. Um abraço.


Will: Isso aí, pessoal, quaisquer dúvidas, críticas, sugestões ou elogios, por favor, envie um e-mail para aquarismobizarro@gmail.com falou!


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